segunda-feira, 31 de março de 2014

ODISSÉIA - em memória de Martina Piazza



















ODISSÉIA

(Em memória de Martina Piazza)

O tempo fechado em mar aberto
Indica os perigos que enfrenta os caminhantes
Quando o horizonte barra as asas navegantes
E seguir se faz preciso
A noite se veste em luto
Para adormecer nossas memórias
E a bússola no céu
É uma pequena estrela
Que teima em desafiar a escuridão

Anjos e demônios flertam
E jogam xadrez com os destinos humanos

Quando parar se faz preciso
Pra reconstruir os sonhos
A morte é só um mergulho no infinito das sombras
Cores e aromas, da noite ao dia,
Um efeito sonoro e visual em degradê

Emergir se faz preciso
Uma dose de ar nas veias
E um salto sem tamanho para outras dimensões
Uma alfaia constante e cortante improvisando atalhos
Um grito no abismo
Um eco que evoca o desenrolar de uma nova odisséia
Quando a eternidade se cansa de ser eterna
E nos surpreende em mar revolto

No final
O que fica de quem parte
É aquela estranha sensação
De que nos falta uma parte

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