domingo, 13 de abril de 2014

NA TERRA DO ADIANTO

- Koé menor, que pressa é essa? desacelera airton.

- E aí mais velho, to descabelado, vou atrás de um qualquer.

- Nem vai pensar em plantar na biqueira, tu tá ligado né, menor. O bagulho tá doido, gambé pra carái, o mosquito de ferro cuspindo bala lá de cima. 

- To ligado, mais velho, meu talento é outro, eu sou artista, mas no momento não tá piando uma paia. Então vou fazer outros corre.

- Não vai querer meter fita não, né menor. Tu viu o que aconteceu com o Adãozinho, né, pegou uma peça e caiu pra dentro de uma lotérica. Não viu que tinha um segurança no mocó, foi só um bizorro sem asa no crânio do moleque. Hoje tá lá cortando lenha de graça pro cão.

- Pô, o Adãozinho era meu fechamento, mó consideração por aquele moleque. Lamentável. Mas o meu corre é susse, agilizei um isopor e vou vender mata rato e sanduba no CEASA, tá ligado.

- Isso memo moleque, o lance é levantar uma meta, mas num trampo honesto, tá ligado. Vou quebrar a sua, passa aqui hoje no fim da tarde que eu vou conseguir pra você um burrinho sem rabo. Vou deixar na sua. E toma aqui essa metinha pra você comprar a mercança, pra não começar no vermeio, tá ligado.

- Aí eu dou valor. Pô, mais velho, fico até sem palavras. Vou nessa, passo aí no fim da tarde.

- De boa menor, fiz muito corre assim também quando era pivete, um preto velho me deu uma força, então sempre que posso eu retribuo.

Trimmmmm

- Alô... Fala bafo de boi. Koé, tá me tirando memo. É lógico que as peça tão encima. Demorô, já é! Hoje a noite é dos ladrão.

Nenhum comentário: