quinta-feira, 17 de abril de 2014

RITUAL ANTROPOFÁGICO




Sem dó nem piedade
O coração, assaram na brasa

Em copos de massa de tomate
Brindaram mais um gole
De sangue de boi

A madrugada no beco
Sempre foi assassina
De perspectivas

E como gado no curral
A praticar canibalismo
Saciam a fome
De emoções mais fortes

Da peixeira ainda escorre o sangue
 As manchas vermelhas na roupa
E os flagrantes pelos cantos
Em fiapos de costela

É sempre bom convidar mais gente
Para compartilhar a culpa
E dividir a pena

E também, sorrir sozinho não tem tanta graça
É como se masturbar
Bom mesmo é uma gozada coletiva
Ver a sua satisfação no rosto alheio
E disfarçar o semblante de dor
Que só se consegue de bucho cheio

Essas incursões noturnas
Se fez rotineira
Para alimentar o espírito
Dos desvalidos e marginais

Num ritual macabro
O sangue no chão
Era uma oferenda para deuses desconhecidos

Pela garantia
Da carne nossa de cada dia
E da nova poesia
Que dizia:

Bem aventurados os que expropriam a burguesia

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